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Notícia06 de ago. de 2026· por SONIA BLOTA 11/07/2026 • band.com.br

Suécia recua na economia digital e volta a exigir aceitação de dinheiro

A Suécia foi um dos primeiros países a digitalizar a economia. Agora, começou a voltar atrás: passou a obrigar comerciantes a aceitarem papel-moeda como forma de pagamento. A partir deste mês, supermercados e farmácias voltaram a ser obrigados a receber pagamentos em notas e moedas.

O aviso "não aceitamos dinheiro em espécie" tornou-se comum nas lojas suecas nos últimos anos. Há tempos o país estimula o uso de cartões e meios de pagamento digitais, a ponto de as notas e moedas praticamente desaparecerem do dia a dia. Em uma pesquisa realizada no ano passado, apenas 5% dos entrevistados afirmaram ter pago a última compra em dinheiro. Mas o governo decidiu mudar o rumo. A principal preocupação é dupla: incluir idosos e pessoas com deficiência que não têm familiaridade com a tecnologia e, sobretudo, preparar o país para situações de crise. O medo de ataques cibernéticos e falhas de energia ganhou força desde o início da guerra na Ucrânia. Para o Banco Central sueco, manter dinheiro vivo em circulação tornou-se questão de segurança nacional, já que é uma forma de pagamento que continua funcionando mesmo se a internet ou o fornecimento de energia caírem. A memória de episódios recentes reforça o argumento. Em 2021, um ataque cibernético chegou a paralisar cerca de 800 filiais de uma rede de supermercados que só aceitavam pagamentos digitais. Diante desse cenário, a recomendação das autoridades é que cada adulto guarde mil coroas suecas em casa – o equivalente a cerca de 90 euros, ou mais de R$ 500 – para comprar comida ou medicamentos em caso de conflito. Na teoria, a quantia seria suficiente para o essencial, mas muitos suecos há anos não usam dinheiro em espécie. A mudança, porém, não representa um retorno total ao dinheiro vivo. A Suécia segue entre os países menos dependentes de espécie no mundo, e ainda não há um plano definido sobre como eventuais infrações à nova regra serão fiscalizadas ou punidas. O recado da lei é outro: se a tecnologia falhar, a população precisa ter uma alternativa segura.
ABLEMP · Defesa da Liberdade dos Meios de Pagamento